O desenvolvimento de um medicamento fitoterápico analgésico/anti-inflamatório, a partir da biodiversidade brasileira, pode representar uma nova opção terapêutica para o tratamento de dores crônicas ou neuropáticas.

A dor atinge milhões de pessoas, reduzindo a qualidade de vida e causando altos custos sociais e financeiros para a sociedade. Outros fatores da sociedade atual, tais como o aumento dos casos de obesidade, diabetes e o envelhecimento da população agravam ainda mais os quadros de dor.

Atualmente, os medicamentos mais utilizados para o tratamento da dor são os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e os opioides. Entretanto, estes medicamentos possuem sérias limitações, tais como, eficácia limitada, principalmente em pacientes em condições crônicas (osteoartrite ou neuropatias), problema de abuso relacionado aos opioides e o alto custo de tratamento, principalmente quando há necessidade de utilização de medicamentos biológicos.

Um fator que agrava ainda mais este cenário é que, nos últimos 20 anos, o desenvolvimento de novos produtos nesta área foi baseado na reformulação dos princípios ativos já existentes, ou seja, no desenvolvimento de novas formulações para ativos já conhecidos. Neste contexto, verifica-se a necessidade de novos medicamentos que garantam eficácia com menor efeito colateral, especialmente para os casos em que os opioides e AINEs são pouco eficazes.

Já no contexto da medicina veterinária, um dos principais desafios é o reconhecimento e o tratamento da dor, a qual pode resultar de condições cirúrgicas ou não-cirúrgicas como osteoartrite, trauma e neoplasia óssea. Os animais com dor podem ficar deprimidos e indiferentes ao meio, ou ao contrário, extremamente agressivos e agitados, apresentam dificuldade para repousar, inapetência, morder e / ou coçar a região dolorida. Os medicamentos utilizados na medicina veterinária para o gerenciamento da dor são semelhantes aos medicamentos humanos, tais como os AINEs, anti-inflamatórios esteoridais, opioides e antidepressivos. A analgesia multimodal é uma das estratégias para o gerenciamento da dor, a qual é baseada na utilização simultânea de fármacos de duas ou mais classes farmacológicas ou modalidades de tratamento para o controle da dor.

Assim, este projeto visa o desenvolvimento de um medicamento fitoterápico analgésico/anti-inflamatório, que possa ser uma nova opção terapêutica segura e eficaz para o tratamento de dores crônicas ou neuropáticas a partir de plantas da biodiversidade brasileira.

As seguintes etapas foram desenvolvidas até o presente momento:

  • Desenvolvimento de método extrativo para obtenção de extrato padronizado, de acordo com os princípios da Química Verde;
  • Identificação e determinação quantitativa dos marcadores químicos relacionados à atividade biológica do extrato;
  • Avaliação da atividade antihipernociceptiva (analgésica) do extrato nos modelos gerais de dor;
  • Caracterização do efeito antihipernociceptivo nos modelos de artrite inflamatória e dor neuropática.

Portanto, os resultados deste projeto mostram que os extratos obtidos possuem um significativo efeito analgésico em processos dolorosos, tais como a artrite reumatoide e dor neuropática, sendo candidatos para a confecção de composições farmacêuticas de para o uso humano ou veterinário.

Este projeto é desenvolvimento em conjunto com a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP).